johannes gutenberg prensa

As fases do Projeto Gutenberg: passado, presente e futuro do WordPress

O Projeto Gutenberg é uma das transformações mais ambiciosas da história do WordPress.

Lançado oficialmente em 2017, seu propósito é modernizar toda a experiência de criação e gerenciamento de conteúdo na plataforma, tornando o WordPress mais visual, colaborativo e preparado para o futuro da web.

Embora muitas pessoas associem “Gutenberg” apenas ao editor de blocos introduzido no WordPress 5.0, o nome Gutenberg representa um projeto muito maior: uma reforma completa da experiência de publicação em quatro grandes fases. (Dito isso, vê se para de chamar o Editor de Blocos de Gutenberg, pois Gutenberg é bem mais do que só isso rsrsrsrs)

Neste artigo, vamos entender cada uma dessas fases, o que já foi entregue, o que ainda está por vir e como tudo isso impacta o futuro do WordPress.

Por que Gutenberg?

O nome “Gutenberg” homenageia Johannes Gutenberg, símbolo da revolução na produção de conteúdo escrita.

Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, e que é amplamente considerado o invento mais importante do segundo milênio.

Da mesma forma, o projeto Gutenberg no WordPress busca revolucionar a forma como criamos conteúdo digital, oferecendo uma experiência mais fluida e visual dentro do próprio CMS.

Segundo o Roadmap do WordPress, o objetivo é evoluir a ferramenta para um ambiente completamente baseado em blocos, no qual tudo, de um parágrafo a um cabeçalho, de um botão a um layout completo, é um “bloco” reutilizável e customizável.

Johannes Gutenberg

As quatro fases do Projeto Gutenberg

Cada fase representa uma etapa no amadurecimento dessa visão.

Vamos entender o propósito e o estado atual de cada uma.

gutenberg wordpress

Fase 1 — Edição de conteúdo (2017 – 2018)

A primeira fase do projeto Gutenberg introduziu o editor de blocos como conhecemos hoje, substituindo o antigo editor clássico baseado em texto.

Cada parágrafo, imagem, citação ou botão passou a ser um bloco independente, permitindo montar layouts de forma modular, sem necessidade de código.

Essa fase foi concluída com o lançamento do WordPress 5.0, em dezembro de 2018, e transformou radicalmente a experiência de edição de posts e páginas.

Nota do Autor: Achei válido adicionar minha experiência pessoal nesta primeira fase, pois trabalhava na Automattic na época e foi a primeira empresa a utilizar oficialmente o editor de blocos no WordPress.com, onde eu era da equipe de suporte.

O Editor de blocos foi lançado com pressa, com poucos testes e parecendo algo ainda em versão “beta”, ainda muito cru, faltando blocos essenciais e boa usabilidade. Isso acabou por ocasionar uma rejeição muito grande ao projeto, pois não era algo tão intuitivo de se usar.

Muitas pessoas testaram naquela época (eu também não gostava dele naquele momento), até hoje acham que o editor de blocos é ruim (direito deles), mas muitas nem tentaram utilizá-lo novamente nos dias atuais (2025) e, assim, continuam a rejeitar algo que já melhorou bastante ao longo deste processo de desenvolvimento e melhorias.

Normal alguns gostarem e outros não, mas se você só testou no começo, o que você viu já não é mais o que temos.

Confira mais detalhes sobre esta fase no artigo abaixo:

Fase 2 — Personalização e edição do site (2019 – 2023)

A segunda fase expandiu o uso de blocos para todo o site — não apenas para o conteúdo.

Ela introduziu o Editor do Site (Site Editor), permitindo editar cabeçalhos, rodapés, menus e templates completos diretamente pela interface do WordPress.

Essa evolução trouxe o conceito de Full Site Editing (FSE) e deu origem aos temas baseados em blocos, nos quais todo o layout é composto por blocos reutilizáveis.

A fase 2 foi considerada concluída em 2023, consolidando os blocos como a unidade central da experiência de design no WordPress. E você confere mais detalhes em post exclusivo sobre essa fase:

Fase 3 — Colaboração e fluxo de trabalho (2023 – presente)

A fase atual do projeto, ainda em andamento, tem como foco tornar o WordPress um ambiente verdadeiramente colaborativo.

Enquanto as fases anteriores transformaram a forma de criar, esta foca na forma de trabalhar em conjunto.

Os principais objetivos são:

  • Edição simultânea, permitindo que múltiplos usuários editem o mesmo conteúdo em tempo real, de forma semelhante ao Google Docs.
  • Revisões aprimoradas, com histórico detalhado e visualização das alterações.
  • Fluxos de trabalho e permissões mais granulares, para equipes editoriais.
  • Notificações e comentários dentro do editor, facilitando comunicação entre autores, revisores e administradores.

Fase 4 — Sites Multilíngues e internacionalização (futuro)

A quarta e última fase do Projeto Gutenberg será dedicada ao suporte multilíngue nativo no WordPress.

Hoje, o uso de múltiplos idiomas depende de plugins externos como WPML, Polylang ou TranslatePress… e convenhamos, a experiência com estes plugins é longe de ser satisfatória.

A fase 4 buscará resolver isso de forma integrada, permitindo gerenciar traduções de posts, blocos e sites inteiros dentro do próprio núcleo do WordPress.

Ainda não há uma data definida para o início dessa fase, mas ela deverá começar após a estabilização da colaboração em tempo real (fase 3).

O futuro do WordPress

O Projeto Gutenberg está redesenhando a base do WordPress para os próximos anos.

Com a arquitetura de blocos consolidada e a colaboração em tempo real em desenvolvimento, o WordPress caminha para se tornar um ambiente de criação universal, no qual qualquer elemento (seja texto, layout, idioma ou fluxo editorial) pode ser controlado e personalizado por blocos e a estrutura montada para eles.

Mais do que um editor, Gutenberg é a nova linguagem de construção do WordPress, guiando o CMS rumo a uma experiência mais aberta, acessível e moderna.

Posts Similares

  • SEO: Meta Description em categorias do WordPress

    Vejo todos muito preocupados em aplicar as melhores técnicas de SEO em seus blogs, instalar os melhores plugins para essa finalidade, etc… mas tem alguns detalhes que muitos não reparam que já dá para fazer mesmo sem plugins Você já abriu a página de suas categorias e procurou a meta description no código html das…

  • WordPress 3.2.1

    Depois de mais de um milhão de downloads do WordPress 3.2, foi liberado o WordPress 3.2.1. Esta versão de manutenção corrige uma incompatibilidade de servidor relacionadas com JSON que, infelizmente, afetou alguns usuários e também algumas melhorias no design do novo painel administrativo e no tema Twenty Eleven. Se você já atualizou seu WordPress para…

  • WordPress 4.0.1 expõe más práticas de desenvolvimento utilizadas em alguns plugins

    Com o lançamento do WordPress 4.0.1 nesta terceira semana de novembro de 2014, recebemos relatos de plugins quebrando devido à esta nova atualização. Por exemplo, o plugin Cool Video Gallery está quebrado por causa da maneira como ele lida com atributos de shortcodes customizados ao invés de utilizar a API de Shortcodes disponibilizada pelo WordPress….

  • Autenticação unificada para vários WP no mesmo servidor

    Já havia tentado sem sucesso usar as constantes CUSTOM_USER_TABLE e CUSTOM_USER_META_TABLE, criadas para proporcionar a possibilidade de autenticação única para várias instalações do WP (veja aqui). Mas recentemente tive que tentar novamente – com a diferença que agora tinha que conseguir! Depois de ler artigos e discussões a respeito, cheguei à conclusão triste que a…

  • Migração WordPress – Importando arquivos XML maiores que 2 Mb

    Nosso querido WordPress tem uma conhecida função no painel administrativo que nos permite exportar todo o conteúdo criado em nosso blog para um arquivo XML, para assim permitir que importemos tais dados em uma nova instalação de nosso blog (normalmente usado na hora da migração de servidor). Tal função funciona muito  bem se vocês estiver…

  • Jump2.me para WordPress 1.2 (PT-BR)

    Jump2.me para WordPress é um plugin que automatiza a tarefa de divulgar novas publicações através do Twitter: gerando um tweet no formato definido pelo autor do blog. Esse tweet pode incluir um link curto gerado pelo Jump2.me, que é bastante conveniente devido a limitação de 140 caracteres do Twitter e viabiliza o acompanhamento das estatísticas…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *