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Fase 2 do projeto Gutenberg: Full Site Editing

Introdução: Da edição de conteúdo ao Design do site

Após a turbulentíssima, mas fundamental, Fase 1 (o Editor de Blocos), o Projeto Gutenberg avançou para a Fase 2: Personalização e edição do site. Esta fase foi a concretização da visão de longo prazo de Matt Mullenweg: estender o poder do sistema de blocos a toda a experiência de construção do site.

Lançada progressivamente e consolidada no WordPress 5.9 (Janeiro de 2022), a Fase 2 introduziu o Full Site Editing (FSE) – a Edição Completa do Site. O objetivo era claro: eliminar a necessidade de código em PHP e de navegadores complexos (como o Customizer e os menus de Widgets) para controlar o design de elementos globais de um site.

Se a ideia da Fase 1 ensinou os usuários a editar o conteúdo com blocos, a da Fase 2 era ensinar a construir o esqueleto do site com eles.

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Imagem originalmente publicada em https://make.wordpress.org/core/2018/12/08/gutenberg-phase-2/

A Transição: Saindo do “post_content”

A grande limitação da Fase 1 era que os blocos estavam confinados à área de conteúdo (post_content) de posts e páginas. Para editar o cabeçalho, rodapé, barra lateral ou navegação, o usuário ainda dependia de códigos, widgets e da interface do Customizer/Personalizar… ou até mesmo de plugins externos (os famosos page builders).

A Fase 2 superou essa barreira, buscando resolver três focos principais, conforme delineado no roteiro original:

  • Atualizar temas, widgets e menus: integrar esses sistemas legados ao novo paradigma de blocos.
  • Estar fora do post_content: levar a edição para elementos globais.
  • Foco na Personalização: dar ao usuário controle total sobre o layout e o estilo.

1. O Editor de Site Unificado (Site Editor)

O FSE substituiu o antigo Customizer e as telas tradicionais de Menus e Widgets por uma interface unificada acessível via Aparência > Editor (vale lembrar que isso acontecerá apenas para temas prontos/compatíveis com o FSE, temas “antigos” continuarão tendo o Customizer disponível).

A ideia era trazer todos os elementos globais (cabeçalho, rodapé, barra lateral) para a mesma interface visual do editor de posts, permitindo a edição e pré-visualização dos blocos no contexto do site.

2. Estilos Globais (Global Styles)

Esta é uma das ferramentas mais poderosas do FSE. Os Estilos Globais permitem que o usuário defina as características de design – fontes, cores, espaçamento e layout – para o site inteiro, tudo a partir de uma única interface.

A definição de estilos globais passa a ser definida em um arquivo no arquivo theme.json, que fica na pasta do seu tema. Este arquivo de configuração permite que desenvolvedores de temas definam paletas de cores, tamanhos de fonte e configurações de layout padrão para todo o site, garantindo consistência e simplificando o processo de design para o usuário final.

theme json wp
Arquivo theme.json no tema Twenty Twenty-Five
wordpress styles fse
Estilos do tema no Full Site Editor

Os Novos Pilares da Construção de Sites

A Fase 2 exigiu novas ferramentas e uma mudança completa na arquitetura de temas:

Temas de Bloco (Block Themes)

Para utilizar o FSE, surgiu um novo tipo de tema.

Ao contrário dos temas clássicos que dependiam da criação de arquivos PHP (complexos para muitas pessoas), os Temas de Bloco são construídos exclusivamente com blocos, usando arquivos HTML para definir templates (modelos) e template parts (partes do modelo, como cabeçalho e rodapé).

Edição de Templates

O FSE deu aos usuários o poder de criar e modificar os modelos de páginas (template parts). Isso significa que, sem escrever código, é possível:

  • Criar um modelo de página de arquivo (lista de posts).
  • Projetar um modelo de página 404 ou página única.
  • Reutilizar partes de modelo (como rodapés) em vários templates.
wordpress template parts

Blocos Dinâmicos e o Query Block

Para substituir as funcionalidades de temas e widgets que tradicionalmente dependiam de código PHP, o FSE introduziu uma série de blocos dinâmicos que carregam informações do banco de dados em tempo real. O bloco Navegação, por exemplo, assume a função da antiga tela de Aparência > Menus, permitindo que os usuários construam e editem seus menus diretamente na visualização do site. Da mesma forma, blocos como Título do Site e Logo do Site substituem configurações que antes eram acessadas apenas através do Customizer ou em arquivos de tema.

O bloco mais poderoso nessa categoria é o Query Block. Ele é a solução da Fase 2 para exibir listas de posts, páginas ou tipos de posts personalizados. Essencialmente, o Query Block permite que o usuário crie layouts complexos para páginas de blog, arquivos e resultados de busca, incluindo filtragem e ordenação, sem a necessidade de escrever uma única query de banco de dados ou código PHP dentro do tema. Ele é o elemento que dá ao usuário o controle total sobre o conteúdo dinâmico do site.

query block

Impacto e Legado

A Fase 2 marcou o momento em que o WordPress se tornou um competidor direto e open source dos Page Builders proprietários.

O maior ganho foi a consistência e a simplificação, aplicando o conceito de blocos de ponta a ponta, o que reduziu significativamente o “ponto de dor” de ter de ir e vir entre interfaces desconectadas. Ao unificar a experiência de edição e design em um único lugar, o FSE proporcionou ao usuário controle sem código sobre o layout completo do site.

Para os desenvolvedores, o paradigma mudou: o foco do trabalho pode migrar da escrita de código PHP complexo para a criação de blocos reutilizáveis e a configuração do arquivo theme.json, tornando a construção de temas mais orientada a componentes. Além disso, a nova arquitetura dos Temas de Blocos, ao carregar apenas o CSS necessário para os blocos presentes na página, tende a gerar códigos mais limpos e aprimorar a velocidade de carregamento, resultando em ganhos notáveis de performance.

Notas do Editor

O FSE realmente é algo que te dá mais possibilidades para criar um site sem depender tanto de plugins de page builders, como o Elementor. Entretanto, isso exigirá que você aprenda uma nova forma de criar suas páginas, e isso pode acabar lhe fazendo criar comparações descabidas.

Comparar um plugin comercial com mais de uma dezenas de anos com um editor nativo feito essencialmente por voluntários (e alguns profissionais pagos por empresas de terceiros para dedicar seu tempo para a comunidade), acaba por criar uma comparação desproporcional, sobretudo quando se pensa que a evolução de ferramentas open source depende também do feedback de seus usuários (e falar apenas o Elementor é melhor não é um feedback que aponte as melhorias necessárias).

Recentemente, tive a oportunidade de coordenar a criação do site do WordCamp Brasil 2025 e todos os sites de WordCamps (as conferências oficiais do WordPress, das quais tenho o prazer de ser organizador principal pela terceira vez e de ajudar o quinto WordCamp em terras cariocas a acontecer) são feitos totalmente com o editor de blocos, com o tema padrão do WordPress (Twenty TwentyFive) e sem instalar nenhum plugin adicional.

Para algumas coisas, precisamos entender a melhor forma de fazer e tivemos um aprendizado válido com a experiência, vendo que realmente dá para criar diversos tipos de sites assim.

Como exemplo, destaco aqui uma pequena lista de belos sites de WordCamps criados:

Note, então, que, nos dias de hoje, muitas pessoas ainda não aprenderam a usar o FSE; entretanto, já é possível criar sites bem funcionais com ele, usando o próprio tema padrão que vem com o WordPress , eliminando, assim, a necessidade de buscar outros temas. Entretanto, outros temas, como o Kadence e seu plugin Kadence Blocks, adicionam ainda mais funcionalidades interessantes.

O Próximo Passo: Fase 3 – Colaboração

Com a Fase 2 integrada ao núcleo do WordPress, o projeto Gutenberg avançou para a Fase 3: Colaboração, cujo objetivo é transformar o WordPress em uma ferramenta de trabalho em equipe robusta, adicionando funcionalidades de coautoria e edição multiusuário em tempo real.

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