Reflexão: Rio 450 anos

Vai chegando o aniversário da cidade que eu amo, mas em meio a um período bem difícil que nosso país atravessa.

Chateado com isso tudo mas sem perder a esperança de dias melhores, resolvi aproveitar os 450 anos do Rio de Janeiro e colocar pra fora, em forma de prosa e poesia, tudo aquilo que me adoece, tentando escrever sem nenhuma ablepsia; tentando fazer com que este texto que parece rimado, alcance muitas pessoas e passe algum recado, pro meu povo abrir os olhos e não dar tudo como acabado.

Rio 450 anos

Não adianta ela fazer 450 anos de idade,
se você não toma vergonha e não cuida direito da sua cidade.
Se você sempre cruza os braços e põe a culpa na sociedade,
não tem direito de chorar depois porque nunca te vendem a verdade,
já que a verdade é que você, demonstrando pouca sanidade,
vota em qualquer um, sem pesquisar sobre sua seriedade.

A cidade é maravilhosa, um paraíso tropicalista,
mas num atoleiro verde, diria o diário economista.
Enquanto o juiz é afastado pro dirigir o carro do Eike Batista,
você pede pra condução avançar o sinal, coitado do motorista.
No alto de sua pose de falso moralista,
finge que não viu que o troco estava errado, vantajoso capitalista,
e comemora título do carnaval com dinheiro sujo de ditador golpista.

Nossa cidade é mesmo linda, uma beleza exuberante,
que mesmo com todos os problemas, pros turistas é aconchegante.
Mas viver aqui todo dia tem sido cada vez mais difícil,
na política corrupção, no centro cai mais um edifício,
e os problemas ficam pra depois, e isso é aceito por muito imbecil.

Espero que tudo isso mude, a esperança permanece,
mas depende mais da gente, pois nossa política só adoece.
Vamos acordar pra vida, a batalha enobrece,
e protestar pelo o que é justo, pelo o que nos engrandece.

Vamos lutar pelo o que é nosso, não tem nada acabado,
a luta tá só começando, e pros canalhas vamos dar o nosso recado!
ou você desistiu depois dos protestos dos “20 centavos”?

Vou ficando por aqui, sem palavras pouco suaves,
que nossa voz nunca se cale.. grande abraço, Guga Alves.


Obs.: Se alguém não entender a referência ao “diário economista”, se refere a matéria que sai na revista The Economist.